Portugal abroad? Hopefully one day…

Os portugueses não se sabem promover.

Há muito que deixei de pertencer ao enorme grupo de portugueses que adora falar mal de Portugal, quer as coisas sejam bem ou mal feitas. Nao interessa o resultado final nem tão-pouco a forma como se lá chegou. Se é português, é mau, ou na melhor das hipoteses, está “benzinho”. Nunca nada é suficiente para o português. Parece-me que a herança Salazarista e o seu, Pobrezinho mas honesto, ainda reina pelas mentes portuguesas. Nada contra o honesto, antes pelo contrário, mas esta frase encerra em si uma resignação e uma falta de visão terríveis. É como se só pudessemos ser bonzinhos se fossemos pobrezinhos. E quando me refiro aqui a pobreza, é sobretudo a uma mente toldada, de uma humildade exacerbada, quase envergonhada, que mais do que enaltecer virtudes, nos torna pequenos demais.

Os portugueses não se sabem promover. E talvez esta seja a razão. Portugal é um país cheio. Cheio de música, cheiros, cores, paisagens. É quase dificil de acreditar que um país tão pequeno possa abarcar tanta diversidade. Portugal tem bons artistas, músicos, uma gastronomia única, quase 900 anos de História para contar, praias, sol, vinhos e toda uma panóplia de outros sabores que pode e precisa de internacionalizar. Mas Portugal não o faz. E é por isso, que de cada vez que cá fora há uma pequena iniciativa portuguesa, passa por todos os jornais, corre os murais do Facebook e muitas páginas de blogues. O que é bom, claro. Mas revela o quão singular cada uma destas iniciativas é.

Por cá, e referindo-me a gastronomia, França, Itália e Espanha dividem o pódio. E ao contrário do que se possa imaginar, Portugal não vem de seguida, dois lugares abaixo ou mesmo no fim da lista. Portugal, simplesmente, não existe. E não existe porque não se promove. Porque é acanhado, acabrunhado e enquanto a coisa for dando, vai-se vivendo a vidinha.

Nao existem muitos eventos portugueses em Londres. Fui a dois nos últimos meses e em qualquer um deles (mesmo acontecendo num país estrangeiro), nao lhes reconheci o mínimo de esforço em torná-los eventos que são portugueses mas não só para portugueses. Os dois eventos, sendo completamente distintos, igualaram-se na forma em como não se deve representar Portugal. Deveriam ser mais do que um aconchego para quem vive fora de portas. Deveriam também servir para mostrar o que temos e o que sabemos fazer de melhor. E nesse aspecto, falharam os dois.

Talvez seja por isso que já me tenham perguntado se nós tambem dançamos flamenco ou se temos mais alguma iguaria gastronómica para além do frango com piri-piri. Ou até se eu sou capaz de me entender a falar com brasileiros. E isto sim, envergonha-me e chateia-me.

Há que perder a vergonha e substituí-la pela audácia. Para a mudança acontecer, a primeira coisa a mudar é a atitude.

 

Portuguese don’t know how to promote themselves.

It’s been a long time since I stopped taking part of the large group of Portuguese people who loves to nasty things about Portugal, weather things are poorly done or well done. The final result doesn’t matter and the same regarding how it was reached. If it’s Portuguese it’s bad, at best, it is ‘quite’ decent. Nothing is ever well enough for the Portuguese. It seems to me that Salazar and his inheritance, Poor but honest, still rules the Portuguese mindset. Nothing against being honest, on the contrary, but this phrase contains in itself a resignation and a terrible lack of vision. As if we could only be nice if we were poor. And when I refer to poverty, I actually mean a clouded mind, exacerbated humbleness, almost embarrassed, that more than extolling virtues, makes us too small.

Portuguese don’t know how to promote themselves. And perhaps this is the reason why. Portugal is a fraught country. Full of music, smells, colours, landscapes. It’s almost hard to believe that such a small country embraces such diversity. Portugal has good artists, musicians, a unique cuisine, nearly 900 years of history, beaches, sun, wine and a whole panoply of other flavours that can and need to be taken abroad. But Portugal doesn’t do it. And that’s why every time there is a small Portuguese initiative it’s all over the newspapers, Facebook and blogs. Which is good, of course. But shows how unique each of these initiatives are.

Around here, and speaking of gastronomy, France, Italy and Spain share the podium. And contrary to what one might imagine, Portugal does not come right after, two places below, or even at the end of the list. Portugal simply does not exist. And doesn’t exist because it is not being promoted. Because it’s shy and sheepish, but as long as it nearly enough, we’ll just keep living our small lives .

There aren’t many Portuguese events in London. I went to two in the last couple of months and, in each of them, I didn’t see any effort in approaching other people apart from the Portuguese themselves (even if they are taking place in a foreign country ). The two events, being completely different , were quite similar when it comes to how not to show off Portugal. These events should be more than a ‘shelter’ for those who live abroad. They should also serve the purpose of showing to others what we have and do best. And in this respect, the two failed.

Maybe that’s why I have already been asked if we also dance flamenco or if we have any more gastronomic delicacy beyond the chicken peri-peri . Or even if I am able to speak with Brazilian people. And that, oh yes, that embarrasses and bothers me.

We to replace shame with audacity. If we want change to occur, firstly we need to change our mindset.

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