I quit

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Desengane-se quem acha que desistir e coisa de fracos. Algumas coisas sao mesmo para desistir e requerem bastante mais forca e motivacao do que continuar. Nao serao todas as coisas mas fumar e uma delas de certeza. Fumo ha muitos anos, tantos que me envergonho de dizer. Comecei demasiado nova, coisa de adolescente parva a tentar desafiar as normas sociais. E faze-lo com os amigos era melhor ainda: unia-nos na (estupida) conviccao de que esse desafio era partilhado.

Ao longo destes muitos anos a fumar, nao foram muitas as vezes em que pensei seriamente em parar. Isso so aconteceu ja depois de ter vindo para Londres. O custo deste habito foi o grande impulsionador, confesso, mas nao foi o unico factor que me fez considerar isto. A falta de espacos para fumadores e, sobretudo, a exclusao social (nao so espacial) a que os fumadores estao votados e dificil de tolerar. Comparativamente com Portugal, a intolerancia para com os fumadores e por demais evidente. E embora possa servir como gatilho para me fazer questionar o vicio, nao deixa de me deixar zangada ja que nao estou a fazer nada de ilegal. E escusam-se os argumentos de que o SNS ou NHS gastam fortunas com os fumadores. Os fumadores tambem dao muitos milhoes a ganhar com os impostos que pagam em cada maco. Por ultimo (e nao menos importante) esta a saude. Sao ja demasiados anos nisto e a medida que vamos crescendo (e envelhecendo), e impossivel nao comecarmos a considerar essa questao. Pergunto-me frequentemente como seria eu se nunca me tivesse tornado fumadora…

Adiante, o ano passado fiz a minha primeira tentativa a serio: dois dias inteiros sem fumar. Se a dependencia fisica foi dificil, aquilo que me arrasou foi mesmo a tristeza profunda que senti. Parece absurdo, bem sei, mas quem ja passou por este processo reconhecer-se-a. Tudo o que eu queria durante esses dias era chorar. Tentativa falhada, portanto. Embora tenha continuado a fumar, a ideia de parar continuou a acompanhar-me. Tentei criar novos habitos, por exemplo, nao fumar de manha. A coisa fez-se durante algumas semanas e depois voltei ao mesmo. Tomei medicacao anti-tabagica (que me deixou com nauseas) e tambem nao resultou. Em momento nenhum tive a ilusao de que estes passos me levariam ao objectivo. O que eu queria era preparar-me mentalmente para a derradeira decisao. Uma das coisas que fiz foi comprar este livro. Duas pessoas diferentes falaram-me nele. Uma delas voltou a fumar, a outra nao. As reviews que li sao verdadeiramente inspiradoras. Acredito que nao sera um sucesso para todos mas pelo menos e-o para alguns, o que me deixou esperancada. Como boa fumadora que sou, boicotei-me. Avancar na leitura do livro dava-me medo, como se soubesse que no final iria ter de abandonar o meu fiel amigo de tantos anos. Nao o li, nem cheguei a metade.

Em jeito de resolucao de ano novo (embora eu nao acredite la muitos nestas resolucoes), e sendo que esta ideia ja esta a amadurecer na minha cabeca ha muitos meses, achei por bem tentar uma nova via: o cigarro electronico. O namorido ja o fez durante muitos meses e incentivou-me bastante. Nao e a melhor solucao mas e uma opcao francamente melhor: brutalmente menos prejudicial a saude e francamente mais barata. Li bastante sobre o assunto, artigos a elogiar esta invencao (que em 2016 sera adoptada pelo NHS como metodo para deixar de fumar) e outros a demoniza-la. Ha de tudo, como sempre. Uma visita a uma loja de cigarros electronicos ao pe do meu trabalho deu o empurraozinho que faltava: existem varias opcoes de sabores e tambem relativas a quantidade de nicotina. Existem quatro niveis e muitas pessoas vao reduzindo ate passarem a nicotina zero. Perde-se o vicio da nicotina mas nao se perde o habito de fumar. Esse sera, porventura, o desafio seguinte.

O meu ultimo cigarro a serio foi fumado na Quinta-feira de manha. Se preferia um cigarro normal? Preferia. Se consigo satisfazer-me com este novo metodo? Sim. E por enquanto assim sera. Uma das formas de me motivar sera manter o registo do dinheiro poupado. Em Inglaterra o preco do tabaco e exorbitante e facilmente se ve o resultado desta decisao. Esta noite terei o primeiro grande desafio: um jantar de aniversario, o tipo de ocasiao em que, por entre um copo de vinho e uma cerveja, fumam-se sempre cigarros a mais. Que a consciencia esteja comigo. E o cigarro electronico tambem. Image Giving up is not being weak. Some things we should actually give up and very often it is required much more strength and motivation to do so rather then keep going. This doesn’t apply to everything but certainly applies to smoking. I started smoking many years ago, so many that I am ashamed to say how many. I started too young, like a silly teenager trying to challenge social rules. And doing it with friends and was even better: it would unite us in the (stupid) conviction that that was a shared challenge.

Over these many years as a smoker, I didn’t think seriously of quitting many times. That only happened after I moved to London. The cost of keeping this habit drove me into it, I confess, but it wasn’t the only reason that made me consider it. The lack of spaces for smokers and mostly the social exclusion that smokers face is hard to take. Compared to Portugal, bigotry towards smoking is enormous. And although it may have served as a trigger to make me question this addiction, it makes me feel angry as I’m not doing anything illegal. The arguments that the SNS* or NHS spend fortunes with smokers is not convincing. Smokers also also pay many millions in taxes to the government from each packet they buy. Finally (but not the least) is the health issue. It’s too many years smoking and as we grow (and age) it is impossible not to consider it. I often wonder how I would be if I had never become a smoker…

Last year I made my first serious attempt to stop: two whole days without smoking. If physical dependence was difficult, what devastated me was the deep sadness I felt. Sounds absurd I know, but whoever has gone through this process will recognize it. All I wanted to do was crying during those days. This was a failed attempt, obviously. I kept smoking but the idea of stopping was always on my mind. I tried to create new habits, for example, not to smoke in the morning. I did it for a few weeks but I then went back to the old habit. I took anti-smoking medication (which gave me nausea) and that also didn’t result. At any point I had the illusion that these steps would lead me to the final goal. What I wanted was to prepare myself mentally for the final decision. One of the things I did was to buy this book. Two different people told me about it. One of them restarted smoking, the other didn’t. The reviews I read are truly inspiring. I believe it will not work for everyone but it did at least for some, which gave me hope. As a good smoker, however, I boycotted myself. Going further in the reading of the book scared me as I knew that at the end I would have to let go of my long faithful friend. I didn’t read it, not even half of it.

As a new year’s resolution (although I do not believe much it these resolutions), and having this on my mind for many months, I thought I should try a new way: the Electronic Cigarette. My boyfriend is already doing it for many months and he encouraged me greatly. It’s not the best solution but frankly it is a better option: much less harmful to health and considerably cheaper. I read enough on the subject, some articles are praising the invention (which in 2016 will be adopted by the NHS as a method to quit smoking) while others demonize it. As always, there are opinions to suit everyone. A visit to an e-cigarrette shop near my work was the final nudge: there are several flavours as an option and the same regarding the amount of nicotine we can buy. There are four levels and many people will go through all of them until they reach zero nicotine. One loses the nicotine addiction but keeps the habit of smoking. That will be perhaps the following challenge.

I had my last proper cigarette on Thursday morning. If I prefer a regular cigarette? I do. If I can enough satisfaction with this new method? Yes, and for now it will be ok. One way to motivate myself will be keeping track of the money saved on each pack. In England the price of cigarettes is exorbitant and one can easily see the result of this decision. Tonight I will have my first challenge: a birthday dinner, the kind of occasion where, in between a glass of wine and a beer, you smoke way too many cigarettes. May my consciousness be with me. And the Electronic Cigarette too.

*SNS = Servico Nacional de Saude. The Portuguese equivalent to the NHS.

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